Comorbidades

O termo comorbidade é formado pelo prefixo latino “cum”, que significa contiguidade, correlação, companhia, e pela palavra morbidade, originada de “morbus”, que designa estado patológico ou doença. Assim, deve ser utilizado apenas para descrever a coexistência de transtornos ou doenças, e não de sintomas. É considerada tanto a presença de um ou mais distúrbios somados a um distúrbio primário, quanto o efeito desses distúrbios adicionais.

A ocorrência de uma patologia qualquer em um indivíduo já portador de outra doença, com a possibilidade de potencialização recíproca entre estas é conhecida como comorbidade. No estudo da dependência química, a manifestação de transtornos mentais e de comportamentos decorrentes do uso de substancias e de outros transtornos psiquiátricos vem sendo bastante estudada já desde os anos 80.

O abuso de substâncias é o transtorno coexistente mais frequente entre os portadores de transtornos mentais, sendo fundamental o correto diagnostico das patologias envolvidas. Os transtornos mais comuns incluem os transtornos de humor, como a depressão, transtorno bipolar, de ansiedade, de déficit de atenção e hiperatividade. Transtornos de personalidade e alimentares também apresentam estreita correlação com o abuso de drogas.

As comorbidades foram caracterizadas em 3 classes:

Comorbidade Patogênica – quando um determinado distúrbio leva ao aparecimento de outro e ambos podem estar relacionados.

Comorbidade Diagnóstica – dois ou mais transtornos cujos critérios diagnósticos se baseiam em sintomas não específicos.

Comorbidade Prognóstica – quando a combinação de dois transtornos facilita o aparecimento de um terceiro, como por exemplo, a maior chance de que um paciente com diagnóstico de depressão e ansiedade venha a apresentar o abuso ou dependência de álcool e drogas.

A co-ocorrência de transtornos mentais e transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas vem sendo reconhecida na psiquiatria. Há evidencias de que mesmo o uso infrequente e de pequenas doses de drogas, legais ou ilegais, podem levar o individuo com transtornos mentais graves à consequências mais sérias do que as vistas na população geral e estão associados a mais efeitos negativos ligados aos transtornos mentais.

A incidência de comorbidade de abuso ou dependência de substancias e transtornos mentais graves esta aumentando. Tal fenômeno tem sido atribuído ao aumento e disponibilidade de álcool e drogas na população geral.

Estudos demonstram que pacientes com comorbidade, principalmente aqueles com transtornos psiquiátricos graves, apresentam maiores taxas de agressividade, detenção por atos ilegais, suicídio, recaídas, gastos com tratamento, falta de moradia, repetidas internações, têm maiores períodos de internação e utilizam mais os serviços médicos.

A melhora do quadro psiquiátrico em conjunto com o abuso de substâncias está associada a uma evolução favorável dessa ultima, reduzindo o risco de recaída e aumentando a qualidade de vida do paciente. O manejo da crise aguda deve ser feito tanto por uma equipe multidisciplinar, quanto por terapia individual. O tratamento integrado deve considerar os seguintes itens:

• O uso de farmacoterapia para o tratamento do transtorno psiquiátrico, desintoxicação e fase inicial de recuperação0 de prevenção de recaída;

• Usar técnicas psicossociais para aumentar a motivação, auxiliar na resolução de problemas e no manejo de situações difíceis;

• Apoio psiquiátrico para o controle de sintomas psicóticos, mania e depressivos com ou sem risco de suicídio.